Jorge Luis Borges e a homenagem à leitura

Por Fabio Silvestre Cardoso

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O escritor argentino Jorge Luis Borges

Na semana em que se comemorou o Bloomsday, dia instituído no mundo inteiro para homenagear Leopold Bloom (protagonista de “Ulysses”, de James Joyce), outro gigante da literatura universal merece destaque: Jorge Luis Borges. Assim como não é possível falar da Irlanda sem falar de James Joyce, não é possível citar a Argentina sem pensar em Jorge Luis Borges, cuja morte aconteceu em 14 de junho de 1986.

Poderíamos citar aqui a importância de Jorge Luis Borges para o conto; para a literatura fantástica; e até mesmo para a importância dos clássicos. Borges é realmente importante por tudo isso, e se converteu ele mesmo em um autor clássico, conforme destacam críticos como Harold Bloom e Alberto Manguel, este último um escritor que também capturou com precisão a influência de Borges para a sua própria obra (vale a pena ler “Uma história da leitura”, de Manguel, editado no Brasil pela Companhia das Letras).

“Sempre pensei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca” – Jorge Luis Borges.

As homenagens a Jorge Luis Borges colocam em realce o seu talento como escritor, tendo sido o autor de obras como “O Aleph”; “Ficções” (coletâneas de contos); e “Elogio da Sombra”; “O outro o mesmo” (poesia); e de “Nove Ensaios Dantescos & A memória de Shakespeare” (ensaio), entre outros livros. O que nem sempre é mencionado é o fato de Borges ter sido diretor da Biblioteca Nacional na Argentina, e menos ainda de ter sido premiado em 1961 com o Fomentor Prize, também conhecido Prêmio Internacional de Editores.

E, com efeito, o que distingue Borges de outros autores clássicos é seu apreço pelo universo dos livros e da leitura. Enquanto romancistas e poetas dedicaram suas obras para reinventar gêneros literários ou, ainda, para enfrentar dilemas existenciais de suas respectivas gerações, Borges sempre perseguiu um mundo ideal, que, para ele, estava calcado sempre no exercício da leitura.

“Sempre pensei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”, disse Borges. E talvez para quem não consiga conceber um mundo sem livros essa afirmação seja a mais perfeita tradução da verdade.


Fabio Silvestre Cardoso é doutorando em Comunicação e Cultura pelo PROLAM/USP, mestre em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi (2012), especialista em Política Internacional pela Fundação Escola de Sociologia e Política (2004) e jornalista de formação (2002). É professor de Comunicação Social, nos cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Produção Editorial.